A doença coronária

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A doença coronária

A doença coronária (DC) é a mais prevalente das patologias cardiovasculares, sendo uma doença progressiva e a principal causa de morte prematura, provocando limitações físicas e perda da qualidade de vida da pessoa, nos países mais desenvolvidos. Nos países mais desenvolvidos assumiu a partir da última metade do século passado, proporções epidémicas nas sociedades desenvolvidas.
Em Portugal a DC, comparativamente a outros países da Europa, apresenta uma taxa de mortalidade mais baixa. No entanto, as consequências da DC são de marcada preponderância, pelo que foi considerada pela Direcção Geral da Saúde (DGS) uma doença social, com génese e com repercussão social.

MAS AFINAL, O QUE É A DOENÇA CORONÁRIA?

A doença coronária consiste no desenvolvimento de placas ateroscleróticas no interior das artérias coronárias. Estas placas são formadas por depósitos de gorduras e de outras substâncias na parede das artérias coronárias, que estreitam a entrada dos vasos impedindo a normal circulação sanguínea no seu interior e a correcta irrigação dos tecidos do coração. As placas de aterosclerose causam estreitamento nas artérias e podem mesmo bloquear a passagem do sangue. Geralmente, não causam sintomas até estreitar gravemente a artéria ou causar uma obstrução súbita. A aterosclerose é a principal causa da DC, responsável por cerca de 95% dos casos.
Trata-se de um processo lento e progressivo, que passa despercebido durante muitos anos, mas que ao atingir um determinado ponto provoca o défice de irrigação do miocárdio, com manifestações típicas e, muitas vezes, com consequências mais graves.
O estreitamento das artérias coronárias pode manifestar-se por uma dor passageira no peito, braço e que pode irradiar para o pescoço e queixo, denominada de angina de peito, que resulta de um défice transitório na irrigação do miocárdio. Geralmente surge com os esforços ou as emoções e desaparece com o repouso. Numa situação mais grave, de obstrução total da artéria, pode causar um enfarte do miocárdio agudo, cujo principal sintoma é o aparecimento de dor de características similares às de angina de peito, mas de maior duração. Neste caso, o défice de irrigação é mais prolongado, resultando daí a necrose ou morte de células musculares cardíacas da região afectada. Por vezes, as lesões provocadas são de tal maneira graves que delas resulta a morte súbita, a terceira forma mais comum de aparecimento da doença coronária

QUAIS OS SINTOMAS?

Como a doença coronária pode desenvolver-se ao longo de muitos anos, os sintomas frequentemente não são sentidos até que os bloqueios sejam graves e potencialmente fatais. Os primeiros sintomas podem ocorrer quando o coração estiver a trabalhar mais do que o habitual, como durante o exercício. No entanto, esses sintomas também podem ser percebidos durante o descanso ou sem que haja esforço físico.
Os sintomas da doença coronária podem ser diferentes de pessoa para pessoa, mas os sintomas mais comuns incluem:
– Desconforto ou dor no peito
– Falta de ar
– Fadiga extrema durante o esforço
– Inchaço dos pés
– Dor no ombro ou braço
As mulheres podem sentir uma dor atípica no peito. Pode ser uma dor breve ou aguda no abdômen, costas ou braço.
As mulheres são mais suscetíveis a outros sinais de alerta de um ataque cardíaco que os homens, incluindo náusea e dor nas costas ou na mandíbula. Às vezes, um ataque cardíaco ocorre sem qualquer sinal ou sintoma aparente.

QUAIS OS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO?

Algumas características, condições ou hábitos podem aumentar o risco de desenvolver de doença coronária. O controlo e a monitorização da maioria dos fatores de risco podem ajudar a prevenir ou a retardar a DAC.

1. Hipertensão arterial
É considerada alta se permanecer ou ultrapassar os 140/90 mmHg durante um determinado período de tempo.

2. Tabagismo
Danifica e causa o estreitamento dos vasos sanguíneos, aumenta os níveis de colesterol e a pressão arterial.
Fumar também impede um fornecimento suficiente de oxigénio aos tecidos do organismo.

3. Diabetes
Uma afeção caracterizada pelos elevados níveis de açúcar no sangue que se verifica quando o organismo não consegue produzir quantidades suficientes de insulina ou utilizar adequadamente a insulina que produz.

4. Obesidade
Caracteriza-se pelo excesso de peso corporal causado pelos músculos, ossos, água e/ou por grandes quantidades de gordura corporal.

5. Sedentarismo
O sedentarismo pode potenciar outros fatores de risco da DC.

6. Idade
Nos homens, o risco de DAC aumenta após os 45 anos, enquanto nas mulheres aumenta após os 55.

7. Histórico familiar ou doença cardíaca precoce
O risco de ocorrência da DC aumenta se o pai ou um irmão tiver sido diagnosticado com DC antes dos 55 anos ou se a mãe ou uma irmã tiver sido diagnosticada antes dos 65 anos.

8. Apneia do sono
Trata-se de um transtorno em que ocorre uma paragem na respiração ou em que a respiração se torna muito fraca durante o sono. Quando não é tratada, a apneia do sono pode aumentar as hipóteses de ter hipertensão arterial, diabetes ou mesmo um ataque cardíaco ou AVC.

9. Stress
Estudos indicam que um evento emocionalmente perturbador é o “desencadeador” mais comum de ataques cardíacos.

10. Álcool
O consumo de bebidas alcoólicas em excesso pode danificar o coração e levar a outros fatores de risco de doença cardíaca. Idealmente, os homens devem limitar o consumo de bebidas alcoólicas a duas bebidas por dia, uma no caso das mulheres.