Outras Demências – Frontotemporal

Incontinência Urinária
9 Março, 2019
Outras Demências – Vascular
30 Abril, 2019

Outras Demências – Frontotemporal

A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de Demência, constituindo cerca de 50% a 70% de todos os casos. Todavia existem outras formas de demência e neste artigo vamos falar sobre as Demências Frontotemporais.

A Demência
Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais normais.

As Demências Frontotemporais
O grupo de demências conhecido por Demências Frontotemporais é constituído pela Demência Frontotemporal, Afasia Progressiva não-Fluente, Demência Semântica e Doença de Pick.

O que é a Demência Frontotemporal (DFT)?
DFT é nome dado ao tipo de Demência em que ocorre degeneração de um ou de ambos os lobos frontais e temporais do cérebro.

– Lobos Frontais
Os lobos frontais (esquerdo e direito) regulam o humor, comportamento, julgamento e auto-controlo. A existência de lesões nestes lobos, leva a alterações da personalidade e comportamento, modificação da forma como a pessoa se sente e expressa as emoções e, também, à perda da capacidade de julgamento.

– Lobos Temporais
Os lobos temporais (esquerdo e direito) estão envolvidos na organização dos inputs sensoriais (ex.: aquilo que se ouve ou vê). A existência de lesões nestes lobos pode levar à dificuldade na colocação de palavras e imagens em categorias.

Existe uma diferença considerável nos sintomas manifestados consoante os lobos cerebrais afetados. Os quatro principais subtipos ou variantes da doença são:

1. Demência Frontotemporal
Este é o subtipo mais comum, sendo também conhecido por Variante Frontal. É, sobretudo, uma perturbação do comportamento. As pessoas com Demência Frontotemporal podem ser desinibidas ou apáticas.

2. Afasia Progressiva não-Fluente (AP)
Este subtipo anteriormente era conhecido por Afasia Progressiva Primária. As pessoas com AP podem perder a capacidade de falar ou manifestar alterações da articulação das palavras.

3. Demência Semântica (DS)
Este subtipo também é conhecido por Variante temporal. As pessoas com DS podem perder a capacidade de compreensão das palavras e podem, também, tornar-se preocupadas com uma única atividade.

4. Doença de Pick
É um tipo de DFT e o seu nome deve-se ao neurologista Alemão que a descreveu pela primeira vez em 1892. A Doença de Pick afeta os lobos frontais, mas em alguns casos também pode atingir os lobos temporais do cérebro. Se existirem lesões no lobo temporal, a memória será a principal capacidade a ser afetada.

Embora as pessoas com DFT possam ser diagnosticadas com um dos subtipos anteriores, à medida que a doença progride tendem a apresentar sinais e sintomas que são uma combinação de dois ou três subtipos.

A DFT provoca, ao longo do tempo, o declínio progressivo e irreversível das capacidades da pessoa.

Quais são os sintomas da DFT?
Os sintomas iniciais podem afetar o comportamento e, algumas vezes, a linguagem.
As pessoas podem manifestar alterações no seu caráter e no comportamento social. Podem, por exemplo, demonstrar insensibilidade, apesar de serem pessoas que anteriormente se preocupavam com os outros. Podem, ainda, tornar-se obsessivas e repetir a mesma ação vezes sem conta.
Os problemas de linguagem ocorrem frequentemente no início da doença e podem variar entre a apresentação de um discurso limitado, à total perda da linguagem. Outros sintomas comuns são repetir as frases inúmeras vezes ou ecoar aquilo que os outros dizem. Na DFT, a pessoa em vez de conseguir encontrar a palavra certa para nomear um objeto, pode apenas conseguir descrevê-lo. Por exemplo, em vez de dizer relógio, a pessoa pode referir-se a este como aquilo que serve para ver as horas.

Quem desenvolve DFT?
A DFT pode afectar homens e mulheres. Apesar de poder atingir pessoas de quaisquer idades, tem início normalmente entre os 40 e os 65 anos.

Como é que a DFT é diagnosticada?
Existem várias técnicas utilizadas para realizar o diagnóstico tais como, imagiologia cerebral, eletroencefalograma ou testes neuropsicológicos. Estes testes podem ajudar a determinar se a Demência é de tipo Frontotemporal ou se é de outro tipo, como por exemplo Doença de Alzheimer.

Tal como no caso da Doença de Alzheimer, o diagnóstico só pode ser confirmado após a morte, pelo exame do tecido cerebral.

Como é que a doença progride?
A DFT provoca uma deterioração progressiva inevitável. A esperança de vida é, desde o início da doença, de 2 a 15 anos, sendo a média de 6 a 12 anos. A morte ocorre, normalmente, devido a uma infeção.

Existe algum tratamento disponível?
Infelizmente, ainda não existe cura ou tratamento disponível para a DFT. No entanto, os sintomas secundários, como a depressão, podem ser aliviados pela medicação.

A gestão da doença baseia-se no desenvolvimento de estratégias para lidar com a mesma. Ter um maior conhecimento sobre a doença e do motivo pelo qual a pessoa se comporta de uma determinada maneira, pode ser uma forma eficaz de ajudar as pessoas a lidarem com aquela. Em vez de tentar modificar o comportamento da pessoa afetada por este tipo de Demência, os familiares e cuidadores podem desenvolver as suas próprias estratégias para lidar com a pessoa com a doença, tal como evitar a confrontação e arranjar forma de contornar as obsessões.

Existem vários apoios disponíveis para as pessoas com Demência, para as suas famílias e cuidadores. O apoio pode fazer uma diferença positiva na forma de gerir a demência.

As pessoas com este tipo de Demência, as suas famílias e cuidadores, necessitam de uma atenção extra, uma vez que esta doença afeta os indivíduos numa idade em que ainda desfrutam de um estilo de vida preenchido e independente.